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O custo invisível da liderança feminina: até onde precisamos provar nosso valor?

  • Danielle Cosme Danielle Cosme
  • 10 de mar.
  • 2 min de leitura


Ser uma mulher em posição de liderança significa lidar com desafios que nem sempre são vistos ou reconhecidos. É o que chamo de custo invisível da liderança feminina: o peso de provar, constantemente, que merecemos estar onde estamos, enquanto enfrentamos barreiras sistêmicas, cobranças desproporcionais e a solidão de quem precisa fazer mais para ser vista como igual, ou trabalhar o dobro para receber a metade.

A desigualdade que persiste

Mesmo com avanços, a realidade ainda é dura. No Brasil, apenas 35% dos cargos de alta liderança são ocupados por mulheres, e mesmo quando chegamos lá, ganhamos 21% menos do que homens na mesma função. Não se trata de mérito ou competência, mas de um sistema que historicamente privilegia homens nesses espaços, afinal, vivemos numa sociedade feita por homens e para homens.

E a diferença vai além dos números. Se um homem erra, é um "deslize". Se uma mulher erra, "não estava preparada para a função". A cobrança sobre nós é tão maior que precisamos falar melhor, entregar mais e nos posicionar com firmeza só para sermos reconhecidas. O resultado? Um desgaste silencioso, porque estamos sempre em estado de alerta.


custo invisível da liderança feminina

A pressão por resultados (e a falta de suporte)

Quando uma mulher assume a liderança, espera-se que ela faça milagres: resolver problemas crônicos, entregar resultados extraordinários e ainda equilibrar expectativas irreais. Muitas empresas querem "cumprir cota" de diversidade, mas colocam mulheres em posições estratégicas sem oferecer estrutura, recursos ou autoridade para liderar de fato.

E quando algo dá errado? Somos as primeiras a ser questionadas. A diversidade vira fachada, e nós viramos bodes expiatórios. Não basta colocar uma mulher no comando; é preciso dar ferramentas para que ela transforme desafios em oportunidades.


Por que precisamos falar sobre isso?

O custo invisível existe. Ele está na síndrome da impostora que persegue 75% das mulheres em cargos de liderança, na cobrança para sermos "agradáveis" enquanto exigimos respeito, e na solidão de quem não tem espaço para errar.

Mas quando enxergamos esse custo, podemos enfrentá-lo. Precisamos normalizar que mulheres brilhem, celebrem suas conquistas e ocupem espaços sem pedir licença. E isso começa com ações e mpresas que valorizem a liderança feminina além do discurso, e principalmente mulheres que apoiem outras mulheres, sem julgar ou competir.

Liderar não precisa ser um fardo

Nossa trajetória já é prova suficiente do nosso valor. Não precisamos carregar o dobro do peso para sermos reconhecidas de silenciar conquistas ou justificar espaços.

O futuro da liderança será mais justo quando empresas e sociedade entenderem que diversidade não é sobre números, mas sobre dar recursos e oportunidades iguais. Porque liderança feminina não é sobre provar algo – é sobre transformar realidades.

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