Liderança sem pedigree: construindo autoridade além dos círculos tradicionais.
- Danielle Cosme Danielle Cosme
- 10 de fev.
- 3 min de leitura

O mito da liderança feminina e os grandes nomes
Quando falamos em liderança feminina, é comum que os primeiros nomes que vêm à mente sejam de grandes executivas à frente de multinacionais, startups bilionárias ou empresas tradicionais. São histórias que inspiram, mas que, muitas vezes, parecem distantes da realidade da maioria das mulheres.
Se você perguntar a uma mulher quais são suas referências em liderança, a resposta provavelmente será um nome masculino, associado a uma grande empresa. Mas por que não olhamos para o lado? Por que não reconhecemos as lideranças femininas que estão em nosso próprio ecossistema, na nossa cidade, nos espaços onde estamos inseridas?
O nosso ecossistema do Rio Grande do Sul, por exemplo, está repleto de mulheres que lideram com excelência, sem necessariamente ocuparem cargos em grandes corporações. São mulheres que fazem acontecer, conectam pessoas e impulsionam mudanças. E eu sou prova disso.
Construindo liderança sem pedigree e além do sobrenome
Nasci na cidade de Rio Grande e cheguei a São Leopoldo em 2010, sozinha, com dois filhos. Sem conexões estratégicas, sem um sobrenome influente, sem um diploma internacional que me abrisse portas. Minha entrada no ecossistema de inovação e tecnologia aconteceu em 2019, quando mergulhei no universo das startups sem sequer entender exatamente como ele funcionava.
Aprendi na prática. Construí minha trajetória conectando pessoas, fortalecendo projetos e criando oportunidades. E, mesmo sem vir de uma multinacional ou de uma família tradicional do setor, hoje sou reconhecida como uma liderança no ecossistema de inovação do Rio Grande do Sul. Isso porque liderança não vem com pedigree. Liderança se constrói na entrega, na consistência e na capacidade de gerar impacto real.
Por muito tempo, nos fizeram acreditar que ser líder exigia um caminho pré-determinado: cursar determinadas universidades, trabalhar em empresas renomadas, acumular certificações internacionais. Mas a verdade é que nenhuma dessas coisas, por si só, faz de alguém um bom líder.
A barreira invisível do reconhecimento
As oportunidades de liderança ainda são restritas. Vivemos em uma sociedade construída por homens e para homens. A ascensão de mulheres a posições estratégicas ainda enfrenta barreiras invisíveis que não afetam os líderes tradicionais.
E para aquelas que não vêm de círculos privilegiados, a escalada é ainda mais desafiadora. O mercado valoriza líderes com histórico em empresas de prestígio e diplomas de universidades renomadas, dificultando o reconhecimento de trajetórias construídas no campo de batalha do empreendedorismo, da inovação e da resistência.
Mas isso precisa mudar. Se você é uma mulher construindo sua liderança hoje, dentro do seu ecossistema, dentro do seu espaço, a sua presença é relevante. E talvez o seu impacto seja ainda mais poderoso do que o de uma liderança distante e inacessível.
O caminho para romper essa lógica
Se queremos transformar a percepção sobre liderança feminina, precisamos começar por nós mesmas. Aqui estão algumas reflexões estratégicas para mudar esse cenário:
- Para quem você olha quando pensa em liderança? Faça o exercício de buscar referências próximas, mulheres que estão liderando ao seu redor. Liderança não precisa vir de longe para ser inspiradora.
- Conte a sua história. O silêncio nunca foi estratégia de poder. O mundo precisa saber de onde você veio, quais desafios superou e que forjaram a pessoa que tu és hoje, orgulhe-se da sua história, pois é ela que vai construir o teu legado..
- Abandone a perfeição inatingível. Liderança real não é sobre ser impecável, mas sobre ser acessível, humana e autêntica. A vulnerabilidade também constrói autoridade.
- Lembre que liderança é servir. Não é apenas sobre guiar, mas sobre estar a serviço do coletivo, criando oportunidades para outras mulheres crescerem junto.
O futuro da liderança é sobre impacto, não sobre pedigree
A próxima geração de líderes não será definida pelo passado, mas pelo que constrói no presente. E a pergunta que fica é: o que realmente importa? Um nome reconhecido ou um legado que transforma realidades?
Liderança sem pedigree não é menos valiosa. Pelo contrário, ela é a liderança que se constrói no dia a dia, com coragem, estratégia e impacto tangível. E talvez, ao olharmos mais para o lado e menos para o topo, possamos enxergar que a revolução já está acontecendo — e ela tem o rosto de mulheres reais, como eu e como você.
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